Consumo Conspícuo

Entrevistamos Daniel Chalhub, nosso aluno da 32ª turma do MBE, Advogado militante em causas imobiliárias e ambientais, articulista em periódicos de literatura e filosofia.

Daniel RicciSobre o aluno:
Turma: MBE 32

Formação:
Pós-graduado pela COPPE/UFRJ no MBE Meio Ambiente
Pós-graduado pela FEMPERJ em Direito Público
Graduado em Direito pela UCAM
Graduado em Filosofia pela UFOP

Profissão: Advogado militante em causas imobiliárias e ambientais, articulista em periódicos de literatura e filosofia.

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Dentro do universo de temas corolários ao meio ambiente, o consumismo exacerbado é um dos menos óbvios e, talvez por isso, um dos mais danosos. Ao ler “Colapso”, de Jared Diamond, me pareceu muito pertinente trazer uma adaptação da temática para dentro do curso – o escopo da obra é basicamente como várias civilizações ao longo da História, em função do frenesi por produção de bens e consumo dos mesmos, entraram em crise justamente por causa da desarmonia entre o método de exploração dos recursos disponíveis e a capacidade do ecossistema se regenerar. Em suma, a forma não-sustentável de gerar riqueza causou a destruição desses povos; considerando o estágio de desenvolvimento socioeconômico moderno, trazer a atenção para este tipo de padrão historicamente recorrente é bastante válido.

Por mais lugar comum que possa soar, atualmente, ter mais significa ser mais. Zygmunt Bauman traz uma passagem muito interessante em “Vidas para Consumo” em que diz que “os consumidores são removidos e colocados fora do universo de seus potenciais objetos de consumo. Na maioria das descrições, o mundo formado e sustentado pela sociedade de consumidores fica claramente dividido entre as coisas a serem escolhidas e os que as escolhem (…)”. Significa dizer que há uma sensação de poder no ato de consumir, na ausência de um significado ou propósito pessoal, sentir-se parte de um ciclo, qual seja, a economia, pode criar uma sensação de bem estar, essas pessoas, então, literalmente vivem para consumir.

O malefício pessoal, contudo, não é nada perto do que pode acontecer com o planeta, a longo prazo. Se nos atentarmos para indicadores como a “pegada de carbono” e ferramentas derivadas como a calculadora que mede quantos planetas seriam necessários para sustentar hábitos de consumo uniformes a todos os seres humanos, a julgar pelo estágio atual de globalização, podemos considerar o mundo inteiro como uma única sociedade caminhando para o exaurimento de todos os seus recursos naturais. A Terra, com o tempo, vai se regenerar, só não estaremos mais aqui para testemunhar.

É uma corrida contra o tempo. Temos a ambição humana como fator motriz de todo o desenvolvimento tecnológico da raça e, ao mesmo tempo, como inimigo último do planeta. Fazendo valer outro bordão repetido à exaustão: só a educação pode salvar. Mas é uma educação dificílima, porque o consumidor vê um ataque ao seu estilo de vida como uma agressão ao seu direito individual de dispor de seu dinheiro como quiser. Imagino que as próximas gerações serão mais bem esclarecidas pelo simples fato de já estarem vislumbrando as consequências naturais do abuso do planeta.

Politicamente falando, a ECO 92 e a Rio+20 mostraram-se marcos para o debate sobre estratégias ambientais a nível internacional. Nas últimas décadas vimos o país se tornar um destino para investidores atrás de pesquisas sobre biotecnologias e tecnologias verdes. Essa vocação natural, tanto em função desta imagem emblemática, que tem atraído capitais, quanto da variedade e disponibilidade de recursos naturais, podem tornar o Brasil um pioneiro em tecnologias sustentáveis comercialmente viáveis – mudando hábitos de consumo e impedindo um exaurimento prematuro do planeta.

A comportamentologia por trás do consumismo sempre me intrigou. Uma série de leituras sobre o tema me instigou a procurar um aprofundamento na área e o MBE da COPPE me pareceu o caminho mais pragmático para unir todo o arcabouço teórico à práxis, maturando, por fim, na pesquisa sobre consumo conspícuo.

A COPPE oferece um acervo de contatos e informações profissionais bastante extenso. De um ponto de vista menos materialista, acredito que o maior benefício do curso tenha sido a aquisição de uma visão mais ecumênica do meio ambiente. Sendo aberto a todas as áreas, as abordagens são as mais abrangentes e variadas, o que ajuda a compreender, de uma forma única, a universalidade de saberes que rodeiam o tema, o que é um prato cheio para quem tem apetite pela produção acadêmica.

 

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