A Logística Reversa de Embalagens de Óleo Lubrificante no Brasil

Entrevistamos Yonara Braga, nossa aluna da 33ª turma do MBE, Coordenadora de Projetos Ambientais na GEAMAR Engenharia, Meio Ambiente e Sustentabilidade LTDA.

Yonara BragaSobre a aluna:
Turma: MBE 33

Formação:

Mestre em biomonitoramento ambiental/UFBA. Especialista em Meio Ambiente/COPPE-UFRJ. Experiência em projetos ambientais ligados ao gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes, educação ambiental, licenciamento, monitoramento e auditorias ambientais. Conhecimento das normas ISO 14000, legislação ambiental e convenções internacionais ligadas ao meio ambiente, experiência em ministrar aulas, cursos e palestras sobre sustentabilidade e meio ambiente. Consultora – Coordenadora de Projetos Ambientais na GEAMAR Engenharia, Meio Ambiente e Sustentabilidade.

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Em linhas gerais, podemos dizer que a logística reversa possibilita o retorno à cadeia produtiva de materiais (resíduos) para que estes sejam reincorporados aos sistemas produtivos.  Sendo assim, vejo como uma importante ferramenta para viabilizar a gestão adequada dos resíduos sólidos e, por isso, deve estar inserida na cadeia produtiva de todos os fabricantes e importadores, independentemente de se tratar de uma obrigatoriedade legal. Quando se fala de embalagens usadas de óleo lubrificante, entendo que o retorno à cadeia produtiva evita o descarte inadequado destes resíduos no meio ambiente, diminuindo assim os riscos de contaminação ambiental do solo, do ar (quando as embalagens são queimadas) e de corpos aquáticos superficiais e subterrâneos.

Além disso, por estar muito relacionada às práticas de reutilização e de reciclagem de materiais, a logística reversa possibilita a redução da exploração de recursos naturais, na medida em que se recuperam materiais para serem reinseridos aos ciclos produtivos. Sob esse ponto de vista, é correto afirmar que a logística reversa está alinhada ao conceito de sustentabilidade.

A logística reversa das embalagens de óleo lubrificante no Brasil é feita através do Programa Jogue Limpo. Este programa operacionaliza a coleta e a destinação adequada das embalagens de óleo lubrificante pós-consumo, atendendo assim o estabelecido no acordo setorial.

O programa possui na sua estrutura empresas gestoras que atuam em diferentes estados brasileiros e têm a função de coletar, armazenar e enviar para reciclagem as embalagens recolhidas em estabelecimentos cadastrados – postos de serviços, concessionárias e algumas oficinas regulares.

Estes estabelecimentos recebem as orientações de como armazenar as embalagens, até que a coleta seja feita pelo caminhão itinerante do programa. Após coletadas, as embalagens são levadas até as centrais de armazenagem temporária, onde são drenadas, selecionadas por cor, prensadas ou picotadas e enviadas para as empresas recicladoras licenciadas e aprovadas pelo Jogue Limpo. Nas recicladoras, o material é triturado, depois, passa por um processo de descontaminação do óleo lubrificante residual e é transformado em matéria prima secundária para confecção de outros materiais.

Estas empresas recicladoras ficam responsáveis, perante os órgãos ambientais, pela reciclagem e destinação final dos rejeitos e das emissões deste processo. Após o processo de reciclagem, a matéria prima secundária retorna ao setor industrial para ser utilizada na confecção de outras embalagens ou de tubos e conduítes usados em instalações elétricas.

Assim, fecha-se o ciclo da logística reversa das embalagens de óleo lubrificante, reduzindo a extração de matéria prima virgem e evitando o desperdício de material plástico que, se destinado inadequadamente, causa danos irreparáveis ao meio ambiente.

Sim. A comercialização de óleos lubrificantes automotivos a granel é uma alternativa ao uso das embalagens individuais. Tal medida representaria um avanço em termos de sustentabilidade para o setor, uma vez que eliminaria milhões de embalagens que, quando não gerenciadas adequadamente, provocam impactos ambientais negativos.

Outro aspecto relevante é que, ao comercializar óleo lubrificante a granel, o consumidor passaria a comprar apenas a quantidade necessária, evitando perdas – óleo residual que permanece nas embalagens pós-consumo e que confere às embalagens plásticas uma periculosidade ainda maior, se considerarmos o potencial de contaminação dos hidrocarbonetos e seus aditivos ao meio ambiente.

A comercialização a granel do óleo lubrificante é extremamente positiva, pois reduz a quantidade de resíduos gerados, estimula o consumo consciente por parte dos consumidores, além de demonstrar a responsabilidade ambiental dos fabricantes que valorizam as medidas de sustentabilidade como parte integrante de seus negócios.

Apesar das vantagens ambientais, nota-se uma preferência no uso das embalagens individuais de óleo lubrificante, especialmente por este modelo garantir ao consumidor a qualidade do produto. Em tese, um produto que foi envasado e lacrado na fábrica terá menor chance de ser adulterado e, assim, o fabricante garante a sua qualidade até o consumidor final. Adotar o modelo a granel requer meios para garantir que o produto mantenha suas propriedades inalteradas, além de transmitir essa credibilidade ao consumidor final.

Percebo que estamos avançando, ainda que lentamente. A promulgação da Lei 12305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi, sem dúvida, um passo importante na regulamentação do setor. A introdução de conceitos como o da responsabilidade compartilhada traz a necessidade de participação de todos os setores da sociedade atuando de forma conjunta para que as mudanças necessárias sejam alcançadas. Contudo, ainda há muito o que se fazer! É imprescindível que haja incentivos fiscais, desoneração das indústrias recicladoras, incentivo ao mercado para absorver o material reciclado e principalmente uma mudança de comportamento da sociedade. A população precisa entender que ela faz parte do processo e, para isso, a disseminação do tema, a educação e a conscientização ambiental são imprescindíveis.
Vivemos num modelo de desenvolvimento que estimula veementemente o consumismo, o que resulta na exploração demasiada dos recursos naturais e no consequente aumento da geração de resíduos sólidos. Nesse cenário, a logística reversa, foco do meu trabalho, ganha destaque em razão do aumento da descartabilidade dos produtos, caracterizada pela obsolescência programada, o que resulta na redução da vida útil dos bens e acúmulo dos mesmos na natureza. Desse modo, vejo como necessário viabilizar meios de recuperação destes resíduos, pois neles existe um valor econômico agregado que não deve ser desconsiderado.

O MBE/COPPE contribuiu na minha formação profissional por colocar à disposição um corpo docente qualificado, atualizado e completamente integrado com as questões ambientais. Durante o curso, tive a oportunidade de interagir com estes profissionais e com os meus colegas de classe, cada um com suas experiências, que só vieram a contribuir positivamente na minha formação.

 

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